domingo, 19 de julho de 2009

Aos meus queridos pais

Terça feira, dia 14 de julho, foi o aniversário de casamento dos meus pais... 25 anos, bodas de prata.
Escrevi uma pequena mensagem de agradecimento a eles, e quero, pelo tanto que significou para todos de minha família, compartilhar com quem por um acaso quiser ler. Sem muitas outras palavras. Um abraço a todos, e até a próxima.


Aos meus queridos pais


Ao começar a escrever tais palavras, pensei que, como filho mais novo, teria muito pouco a dizer, pois dos vinte e cinco anos que hoje se completam, estive presente por somente dezesseis. Não tenho lembranças de tudo que aconteceu neste meu pouco tempo com vocês, mas tenho em minhas memórias mais do que o suficiente para agradecer por ter sido fruto de pessoas tão maravilhosas.

Benedito Aurélio, meu pai, muitas vezes o vi em situações ruins, derivadas de seu trabalho ou de outros muros que se ergueram em seu caminho, ainda assim, você nunca se deixou entregar, por mais nessas horas fossem escassas as soluções, sempre as buscou com fé, e ao final sagrou-se vencedor, servindo assim de exemplo para mim, por sua honestidade e perseverança.

Esther Augusta, querida mãe, sua fineza e ponderação, dentre suas muitas outras qualidades, sempre me serviram de base para qualquer desafio. Aprendi bem com a senhora, que não se consegue nada sem paciência e calma no coração, e que mais importante que vencer, é saber manter-se firme e racional mesmo quando derrotado.

Meus pais, vocês juntos construíram esta ponte de amor sobre a qual hoje nossa família se mantem. Todas as suas lições de solidariedade, força e caráter foram essenciais para a minha formação como pessoa, assim como sei que também foram para minhas irmãs, as suas filhas Mônica e Renata.

Hoje, em suas bodas de prata, como forma de parabenizá-los e agradece-los, teço estas singelas palavras que neste pequeno discurso, retratam uma minúscula parcela de todo o amor e carinho que sinto por vocês, meus pais.


segunda-feira, 13 de julho de 2009

Vitalício!

Não queria postar bem esse texto, mas na falta de um...

Se lhe fosse contar a vida, morreria antes de terminar. Não que eu seja velho demais, mas a Vida é um tanto quanto detalhista. Seus olhos vêem tudo o que a Morte não alcançaria, e tudo o que para você é absurdamente pouco. Entretanto, para ela, é inexpugnável; novo; absoluto; belo; entristecedor...
Meus olhos são a janela para a Vida e minha boca, a porta. As pernas são a única liberdade a qual possuo e meus braços são exatamente as escolhas que tomo. Todo resto é resto em si, mas resto esse importante, que completa a mim; a nós, extremamente vital.
Se pensarmos e planejarmos a Vida veremos que restarão alguns poucos anos de contentamento com o ‘lucro’ produzido nela (nossos filhos, companheiros, amigos, carreira, e o resto...). Se pensássemos todos os dias nela, cairíamos tantas e tantas vezes que força alguma seria capaz de nos levantar.
Felizes são aqueles que deixam a Vida conduzi-los, não aqueles que a conduzem. Aqueles que saem sem rumo em busca de algo utópico e ‘opioso’, junto a ela”.
O destino, se assim posso chamá-lo, é incerto.
Ah a vida...Tão autodestrutiva!
Se tudo está bem como está, ela encontra alguma maneira de nos mostrar o defeito da situação, mas do mesmo modo, imperdoavelmente, mostra-nos a felicidade em um simples gesto.
- E as pessoas?
- Estão se refugiando atrás de papeis e níqueis, pondo -se sob a religião e colocando a culpa, em ninguém nada mais nada menos, do que ela: a Vida.
Felizes aqueles que sabem se culpar e tornam a Vida uma companheira, aliada, ou apenas alguém para se ignorar. Apenas algum outro e qualquer dentro dessa humanidade”.
Pobre Vida...E pensar que ela vai embora daqui tão rápido!
Não desmerecendo a nós também, pois a Vida sabe ser traiçoeira feita cobra, mas ainda há aqueles que sabem bem a aproveitar.Aqueles que sabem viver com intensidade e sem planejar o que se espera. Aquelas mesmas pessoas que acordam em dias ruins, como quaisquer outros; como eu, você, mas que olham e vem que a Vida é um tanto quanto passageira para nós e logo ela pegará o primeiro ponto de partida e nos deixará, sendo assim, segundo algum é mínimo o suficiente para perdemos.
Pois bem, o que tenho a dizer: somente aproveite...
Que esta seja outra proclamação da vida, outra em tantas outras que permanecem por aí.

domingo, 5 de julho de 2009

Trova de saudade




Qualquer lua, sem estrelas
É só lua solitária
Alumia sob as telhas
O resôo da toada

De um triste trovador
Trovejando pra'espantar
O que só lhe traz a dor
E emudece o cantar.

É saudade que rasteja
Sorrateira pelo meu
Céu que já é só quieteza
Sem a benção de Orfeu.

A garganta tece seca
Versos que voam com o vento
Água alguma que se beba
Faz vencer o desalento.

Canta trovador, encanta!
As estrelas vão-se embora.
Canta trovador, que tanta
Lua assim sozinha, chora.


André Yonezawa
02/07/09

terça-feira, 30 de junho de 2009

Carta a uma Guerra

Meu bem,
Estou fazendo esta junção de palavras a ti, no escuro, enquanto observo seu corpo cair num sono profundo.
Sairei antes que o sol de seus olhos nasça e brilhe em mim, antes que possa vir a ver a doçura continua do seu sorriso e o tilintar dos seus passos no assoalho.
Antes que possa me despedir; antes de me despedir de um jeito digno; antes que minhas lágrimas teimem a saltar dos meus olhos e cair por ti.
Odeio despedidas.
Sabe que não irei por vontade minha, irei por vontade do próximo; por vontade ao próximo.
Mas prometo de ti lembrar, todo dia, toda vez que o crepúsculo me alcançar.
Vejo agora que o tempo ruim não é tão ruim assim: a neve e a chuva não são tão frias e deprimentes, são bonitas e inspiradoras, mas onde é que eu vou, elas são de um tom vermelho vivo. Espero não ter que abraça-las...
Não quero que sofra de modo algum por mim, mas temo em lembra-la que a cada cinco minutos, de dez em dez já não posso mais estar aqui.
Se não voltar, coloque seus pés onde eles tinham de ir, onde nós tínhamos de ir, mas nunca fomos.
Não tropece nos seus sonhos, mas enterre os nossos.E’Leve os seus ao infinito...
Garanto que eles serão o meu único refugio para fugir de onde vou.
A guerra não está inteiramente lá, mas sim aqui, dentro de minhas quatro paredes ocas.
Sinto minha alma despedaçada, indo de encontro a ti, mas chegando duas vezes atrasada...
Eu, infelizmente, terei de deixar todas as nossas caixas e planejamentos guardados, prometo lhe trazer, assim que voltar, o último ponto para nossa aliança.
O seu dia será o meu.
Prometo lhe escrever quando puder, e fazer das palavras nossas inconfidentes.
Prometo lhe embrulhar beijos no papel e a sonoridade de minhas musicas: cante-as, para que ao longe eu poça ouvi-las, e perder ao menos a consciência para não ver o que ocorre lá.
E se não chegar, não me espere, porque voltar, eu jamais irei. O que voltará será apenas o meu paletó.
E faltam cinco minutos...E de dez em dez já não estarei mais aqui.

Bem, meu bem, aqui jaz o nosso último dia de muitos outros últimos dias.

Ti amo con tutte le lettere, senza più.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Essa vida...

A vida é um problema. Ou melhor, o problema é a vida. Não que eu queira deixá-la, mas é impossível aceitá-la como ela é. Sempre haverá queixas sobre qualquer pequeno detalhe que a torne um gigante. E queixemos para alguém que nos ama, por favor! Só estes terão a coragem de meter na nossa fuça que a única solução é... procurar uma solução. Além, claro, vai reforçar com um "tudo vai ficar bem".
A vida. Complexa. Caso você não tenha para quem reclamar - ou tem algum receio -, você pensa. Eu reclamo. Mas penso. Penso, penso, penso. Inclusive, estes dias estava pensando: se eu continuar a pensar assim, vou acabar sozinha. Mas não penso sobre academia, meu vizinho bonito, álgebra (bem, talvez o vizinho interrompa meus vastos pensamentos às vezes...). Eu penso em coisas que nem todo mundo entende o motivo pelo qual eu penso.
A vida; este é o meu tema. E certas coisas que a movem. Acredite: este tal combustível é estranho. Nem sempre é eficiente, certas vezes ele falha. Ó vida, por que não mais fácil? Ainda queimo meus miolos de tanto pensar em ti!
Não sou filósofa, nem nada; ainda. Sou uma mera estudante do segundo grau. Mas essa tal denominada VIDA é chata. Chata de entender. Difícil. Penso, penso, e só formulo hipóteses. Conclusões concretas... nada. Nós reclamamos na coitadinha, mas até hoje ela foi a única a alcançar a perfeição.


"Ah, a vida. Pode-se odiá-la ou ignorá-la, mas é impossível gostar dela" Marvin.

ps: Jimmy Neutron é quem está certo! =P



"Tem dias que eu fico pensando na vida, e sinceramente não vejo saída..." Jobim.

domingo, 21 de junho de 2009

Espelhos da alma

Requieto, mirava até então os distantes espelhos d'alma, tão belos... Mirava-os, e ainda que o fizesse fervorosamente, não via meu reflexo em canto nem beco algum daquele universo paralelo que se estendia por toda a profundidade dos mares, céus e sonhos. Sim, mirava-os como num sonho, como se fosse real, como se os tivesse para mim de forma qual nunca viessem a fugir ou sumir em sequer um raio que anunciasse o primeiro suspiro do Sol. Mirava um Sol, ou bem, dois sóis que brilhavam por duas mil outras estrelas.
Acalentava-os com os olhos, sem deixar por segundo algum ser mirado, para que não voassem flechas à minha direção. Se ferido fosse, meu sangue desataria a correr, pois fiz de meu peito também o meu calcanhar de Aquiles.
Amava-os como ama o poeta as suas mágoas, deveras com pesar algum, também como fazem as flores que brotam na noite, da sombra de uma sombra. Fascinado pelo que irradia, mais que uma canção sentimental que corre por entre os dedos, por notas vagas feito saudade do que não se tem, feito canto que se canta em vão, no vão da vida tão vã, tão vã.
Busco, ao menos por palavras que venham a roubar todo o narcisismo (que tenho não por mim, mas por ti) para entregar a quem, a quais, espelhos que maestrizam cegamente meu requieto.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Abraçante

O inverno veio de mansinho me pegar, não bateu a porta.
Trouxe todos aqueles jeitos sombrios depositados nas bebidas quentes, todos abstratos, sozinhos.
O que me seria conveniente agora, seria mais um abraço teu.
Daquele jeito que você veio noite passada: foi se aproximando de pouquinho em pouquinho só para me provocar, sussurrou no meu ouvido e como um golpe foi rápido. Mas durou o suficiente para trazer o bem-estar do meu sorriso.O frio que me consumia (e agora me consome) logo mais se evaporou. Foi-se embora.
Tinha-se ali, um amplexo.
Tinha-me envolvida e apertada. Calorosamente envergonhada.
Tinha tanta gente ali, mas só nós dois.
E se aquele momento, por algum desvio do destino, fosse em vão, eu saberia. Eu sei.
“Deixa a ti menina, vem a mim. Entrega-te!”.
Sempre bestifico suas palavras para tentar te enganar, entretanto só me engano. Admito que se você me disser pela segunda vez essas palavras, juro que caio em ti. Vem e me abraça então, entrega você a mim, todo esse calor contido nessas suas envolturas, porque o frio já está me roubando toda energia.
Volta então, e me segura nestes braços teus.


para um abraço em especial...