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domingo, 21 de março de 2010

Pôr-do-sol

Hoje parei para ver o pôr-do-sol, assim sem motivo algum. A luz alaranjada cortou minha janela e veio ter com os meus olhos um encontro raro. Percebi então que tenho cada vez mais perdido da vista as cores da vida. Sei que cheguei ao fundo, pois registrei numa fotografia o céu daquele momento. Ele estará no mesmo lugar, todos os dias até que eu não esteja mais aqui, e muito além disso, ainda assim, guardei-o na gaveta como quem guarda qualquer memória usada. Guardei com medo de nunca mais vê-lo, medo de que amanhã o Sol nem nasça, ou que o tempo nuble e o esconda sobre as nuvens. Que medo tolo. Estou deixando a rotina me secar.
Tenho visto o tempo como uma pequena ampulheta, como poucas horas escorrendo devagar, mas consumindo vorazmente cada segundo, comendo da minha fome, bebendo da minha sede, vivendo da minha vida de forma tão intensa, que cada um dos segundos estilhaçados, leva consigo outros segundos, e durante um só suspiro, feito um ciclo vicioso, um dia inteiro escorreu pelo ralo, deixando-o entupido... Deixando-me engasgado.
Hoje parei para ver o pôr-do-sol, e vi também, muitas horas depois, uma borboleta repousando no chão. Tomado por uma irracionalidade, quase a pisoteei, mas, graças! Não o fiz. Ajoelhei-me, e colocando a ponta do dedo indicador ao seu lado, deixei que ela subisse em minha mão e me levasse para voar, pois tenho andado muito por terra, e toda essa poeira urbana entope o pulmão. Os olhares da rua tem me intimidado, conjugo o verbo passear somente recheado de vergonha. Parece até que procurar a paz se tornou uma mistura de crime e compromisso... Temos que marcar hora para ouvir os passarinhos piando, e temos que fazê-lo escondidos. Logo mais, não duvido, será preciso os engaiolar para poder, na privacidade de nossos lares, escutar que seja uma triste canção de cárcere. Que desumanidade, tirar dos céus a melodia para alimentar tão mesquinho desejo.
No meu corpo, tudo o que me fazia vivo tem se rendido a mecanização. Meu coração tem batido só para pulsar o sangue, não marcam mais embalos ou paixões. Minhas pernas correm mesmo quando estou parado, se movem com medo de ficarem para trás, como se tudo fosse uma grande maratona. As mãos e lábios, céus, não contam mais histórias, a escrita tem saído muda e a voz tem grafitado em branco.
Hoje parei para ver o pôr-do-sol, e, ao final das contas, foi ele quem parou para me ver. E ele me contou que por trás de todas as nuvens coloridas, o tempo tem mais areia que mil Saharas, e que tal como a borboleta, ao chão só cabe o nosso repouso, pois viver é voar.



E como foi lindo o pôr-do-sol de hoje... Respirei de um sossego que a muito não respirava, e pude, ainda perdido em tal, tecer da calmaria as palavras que aqui foram registradas.

domingo, 17 de janeiro de 2010

Soldado alado

Lá fora chove... Sei porque ouço baterem os pingos na janela do meu quarto. Queria sentir a água acariciar minha pele, provar um pouco do frio que a brisa noturna trás. Seria tão fácil saciar meu desejo, apenas duas portas até a sacada e alguns passos até o beiral, e estaria vulnerável a minha ânsia, tal como um guerrilheiro estaria à sua morte. Reluto, não o faço... Assim, simples desse jeito... Não caminho até aonde o céu nublado me veja.
A grandeza embalante do que me cerca é mais forte, me amedronta. As luzes do centro da cidade vêm de longe sendo vagarosamente consumidas pela escuridão até virarem sombras de vaga-lume que cintilam dançando o coaxar das rãs e o chiar dos grilos, brindando em um suspiro aliviado o sono das vidas, o repousar do caos. Reina a serenidade. Quem sou eu para quebrá-la?
Meus olhos trincados de negar vontade buscam refúgio entre quatro paredes, transito em parafuso pelo piso de madeira, andando em círculos sem querer cessar. Sei onde minhas pernas querem me levar, não dou trégua, temo o mundo e ligo o ar condicionado. Não o faço por calor, mas por silêncio... Rezo para que seu ruído finde as vozes da noite, quero só a paz.

E, no entanto, a cada rota de fuga que busco, percebo voltar a um beco sem saída; A maçaneta me encara, eu desvio o olhar. O vento vem trazer perturbação. Assopra forte e atira chuva contra minha janela, emudece o compressor, não há mais paz. E que ironia nessa hora eu descobrir que quando se trilha um círculo, o único destino é o estonteamento.
Cambaleio até o interruptor. Desligo a luz por precaução... Não sei o quê pode estar me observando. A falta de luz me cega, chego próximo a janela, e com dedos trêmulos destravo suas abas. Caio em mim quando pelas brechas recém abertas entra o inimigo destemido. Dois pares de asas velozes, grandes olhos vidrados em mim... Suas armas estalam e atiram para ferir-me sem dó. Corro em formas mil, hei de encontrar uma saída! Quadrados, triângulos, espirais e esperanças. Meu dedos sangram, roi as unhas até arrancar a pele. Mato a goles férreos o rubro visco da vida, e de repente não há mais madeira sob meus pés... Corri tanto que cavei um buraco, estou agora em terra batida e cascalho. Trincheira de guerra... Estou em guerra. O que eu ouço não são pingos d’água, são flechas de fogo buscando minha pele, clamando o saciar da fome de cortar meu couro, e cantando em coro a brasa e a prata.

Deixo o desespero me dominar. Há um exército inteiro ao redor de minha fortaleza, e sou apenas um homem. Em minhas mãos tenho a honra de todos os meus companheiros mortos em batalha, nada além disso, não tenho armas.
Abaixo a cabeça buscando sonhar uma saída; Não sou só um homem, sou o sobrevivente! Sou o ultimo cavaleiro, a esperança derradeira.
A honra agora é uma bomba relógio, corro para minha antiga rival, a maçaneta, e unindo forças a ela, liberto-me de meus temores. Feito búfalo errante ataco a porta de vidro que me separa do campo de batalha, numa única investida arrebento-a e rolo sobre seus destroços. O sangue é ferro, protege minha pele.
Tenho, tal como a vida, somente uma chance de acertar meu golpe. Miro então o principal vilão, o berço de escuridão e flamas que rege todo o batalhão da noite. Galopeio pela sacada, pisando à pele nua sobre cacos de vidro e sangue, arrebento a tela do beiral e vôo rumo ao exército do Céu. Soldado alado se apresentando, senhor!


17/01/10

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Labirinto

Além de cada passo, há você...
E é pouco todo o espaço, pra dizer
Que nesta vil tortura, quedo eu,
Ao repetir a trilha de um Teseu

Que dos raios de luz, só teve o breu
Que céus, por cruel pena, fez-se meu;
E ante a pior fera, pôs-me a ter,
Pior que um minotauro ou outro ser,

Nas heras que ferroam diamantes
Do tenro peito dos loucos amantes,
O ardor qual eu, caído herói, consinto.

Sem lã nem fuga, não renego a mim
O sufoco dos muros de marfim
De amor nefasto que dói; Labirinto.


03/12/09

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Insonia

O ser silencioso apenas é angustia... Personifica na barba mal feita o desejo de ser só, enquanto a garganta, atada num nó, faz do ser silencioso somente ser o nada.
O nó na garganta desata, e ata o peito a bater.
Um suspiro rompe o silêncio, põe-se acelerado, pensamentos a correr.
E fulgentes pétalas vermelhas, chovem como o fogo do ontem e do amanhã...
Tempestade me afoga, vento corta a alma... Alma cortada, corta a vida.
Cessa o ar, a veia, o sonho... Resta ao mundo apenas corpo... Jardins noturnos, nunca mais.
A cafeína consumiu o fechar de meus olhos.
O ser abatido ri sozinho da vida. As fotografias correm sua mente, deixando-a com tom sépia, e cheiro de armário velho.
A cabeça despenca sobre a mesa de madeira... A luminária balança, os papéis escorregam ao chão, e os olhos se fecham pela ultima vez.
O silêncio é quebrado novamente.
- Apaga a luz amor... Vem deitar aqui na cama que amanhã ainda é terça, e tu bem cedo te levanta e pega rumo pro trabalho.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Prólogo

"Doce-dia, fique triste não. Fique nunca, sempre nunca, e eterna e tenra.
Cura a face, e entre as pedras faz seu riso.
E feito Sol, brilha e irradia, todo e qualquer dia, só ria, sorria... Só sorria."





Tenho muito a escrever, mas não encontro as palavras certas para fazê-lo... Hora sei que encontrarei, e por mais que eu prefira buscá-las pelo resto de minha vida, breve, muito breve, talvez até forçando os olhos para cegar-me ante o inevitável, sei que feito os cantos da madrugada, sussurrarão em meu ouvido: "Estou indo embora...".

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Sobre o frio

E eis que outro dia nasceu cinza, filho dos males da vida. Não há o que discutir quando assim raia a manhã. Basta a nós somente tomar um bom banho quente, pegar um bom e empoeirado casaco no fundo do armário, e ir encarar o mundo como os seres humanos que somos.
Em dias como esse, é normal sentir frieza vinda de todos os lados... O povo Cuiabano é naturalmente caloroso, e isso parece ter a ver com o calor da cidade, beirando ou passando dos quarenta graus quase sempre. A rotina é agitada, o Sol não da trégua, e esfacela qualquer um que tente encarar a correria com roupas bonitas e cabelos arrumados. Fico com pena dos advogados, que para manter a formalidade da profissão, saem por ai com seus pesados ternos e muito gel no cabelo para estarem apresentáveis à seus clientes. Eles devem gostar quando cai a temperatura, não ficam suados e nem precisam sair com gel melando até as sobrancelhas.
Fora os advogados, no frio, percebo menos alegria nas pessoas... Sei que como eu, todos acordam sem vontade de acordar, e muitos ainda por cima tomam um banho gelado de trincar os ossos, e saem antes da claridade para pegarem seus ônibus rumo à suas próprias histórias. Não tem muitos acenos, nem muitos "bom dia" pelo caminho. O cobrador do ônibus manuseia com cara amassada o dinheiro e por vezes erra o troco, parece estar ainda em sua casa levandando da cama. O trabalhador faz mais força que o normal para passar pela catraca, e logo desaba próximo a uma janela e encara o mundo pelo vidro como se tentasse encontrar alguma motivação no asfalto que rapidamente é deixado para trás. Não há no entanto nenhum grande consolo para o começo de um dia frio. Vê-se de seu casulo no máximo um gato morto próximo ao meio fio ou algumas pombas voando desajeitadas pelo topo dos prédios.
O ônibus para no ponto da praça Alencastro, próximo a prefeitura, e dele saem ainda como lagartas os Cuiabanos. Secretárias e comerciantes se espalham pelos casebres e edifícios do centro, e a cidade vai ganhando vida pouco a pouco. E mesmo com quatorze graus ferindo a pele, o Cuiabano faz seu serviço da forma costumeira, sem pestanejar e esperando que no decorrer do dia encontre seu motivo para sorrir.
Assim é vencido o frio em Cuiabá, vezes com caras rabugentas, resmungos, e uma teimosa esperança de ver no MTTV um novo anúncio de: "Previsão de trinta e nove graus e meio na capital para amanhã". No fundo no fundo, Cuiabano é meio pecilotérmico, e apesar de praguejar o calor do meio-dia, não sabe viver sem ele. Dia de frio tinha mais é que ser feriado municipal... Algo do tipo "Dia do urso" ou sei lá.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Breve análise do amor como bem indispensável de uma sociedade consumista

Meus queridos, O Amor é muito simples! Diferente de uma casa de pau com lareira de madeira, ele não incendeia. Não se preocupe então em ter um extintor de incêndio por perto antes de amar.
Presumo que ele também não seja venenoso, visto que nunca vi ninguém morrer depois de dar ou receber rubras rosas preciosas e românticas, exceto é claro, quando dentro do buquê vem uma colméia de abelhas de brinde, coisa que não é muito comum... Eu acho.
Não é radioativo, disso eu tenho certeza! Quando alguém perto de você disser "Meu coração está para explodir de amor", não corra para o abrigo antibomba mais próximo, será muito deseducado! A explosão de um coração apaixonado não libera partículas Beta, aliais, um coração explodindo libera no máximo uns litros de sangue e algumas víceras. Coisa boba!
O ponto que quero chegar é; Se o amor fosse um produto, seria não-perecível, do tipo que você doa em eventos beneficentes. Seria também de livre acesso, nada de "Manter fora do alcance de crianças". Fora do alcance, fora do alcance, ORAS! Deixe mais é que as crianças aprendam a usar o amor, aprendam a amar. Já temos tão pouco nessa vida, e ainda nos vem com "O amor machuca". O amor não machuca, as pessoas é que machucam. E para esses casos, temos novamente o amor! Tem remédio melhor? Você vai ao médico e diz "Doutor, sou um doente do coração amargurado", e o doutor, com toda a sabedoria do mundo responde; "Meu rapaz, vá até o mercado, a choperia, ou qualquer lugar mais próximo, e arranje uma boa dose de um novo amor". Pronto, está ai a cura, é só buscá-la. Só pra constar, não daria certo vender o amor em farmácias. Ele certamente teria uma porção de genéricos, e, apesar de ninguém querer um amor genérico para si, todo mundo iria comprar. Sabe como é, brasileiro adora um troço mais barato.
Se fosse um doce, o amor seria um bolo de cenoura com cobertura de chocolate. Diferente daqueles bolos de festa enfeitados com glacê, chantily, pasta americana e galhos de árvores silvestres, o bolo de cenoura é simples em sua essência. É delicioso, todo mundo gosta, e cai como luva em qualquer dia da semana. O bolo de festa, diga-se de passagem, cai sempre como uma bota. Uma bota no estômago.
O amor talvez devesse mesmo ser um bem de consumo que desse pra comprar no mercado, na mercearia, e que pudesse ser comido todos os dias da semana para adocicar a vida. Tem tanta gente ai no mundo, e tão pouco amor sendo produzido... Depois, quando mecanizarem a produção e começar a vir amor sintético embalado à vácuo, ninguém vai querer comprar. Também, cá para nós, máquina não sabe fazer amor, só a gente sabe.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Um pequeno passo para o homem

(Só para constar, este texto foi escrito três dias depois do quadragésimo aniversário da chegada do homem à Lua)

Existe além do carpete cor de palha, um piso de madeira... Está velho e gasto, mas ainda está. Além do piso, passou ainda a poucos instantes uma barata pela velha tubulação. Ela passou despreocupada, pois lá em baixo, não há quem a queira pisar, não há mesmo! E ela caminhou por alguns minutos, uma eternidade para quem tem vida tão curta e tão dura. Parou na beira de uma vala qualquer, e pensou (se é que barata pensa) em seu jantar... Se pudesse, sei que comeria caviar com trufas, ou filé à moda da casa, mas na falta de algo melhor, baratas comem... O que as baratas comem? Insetos menores, eu acho. Nunca estudei as baratas em toda a minha vida. Se eu for parar para pensar, na verdade estudei muito pouco, e tudo inútil. Não me interessa saber que o meristema é responsável pelo crescimento da planta, poxa! Ela cresce, não cresce? Isso seria mais do que o suficiente. Ai, se um dia me perguntarem o que comem as baratas, eu vou responder; "Não sei, mas sei que as plantas crescem por causa dos meristemas...". Mas isso não vem ao caso, voltemos à barata. Lá estava a barata, pensando em caviar e filé enquanto comia pequenos insetos (?) e bebia... Barata bebe? Acho que não, mas nenhum ser vivo vive sem água, então barata bebe. Retomando, e bebia uma deliciosa água recém-chovida em uma poça cristalina, quando, repentinamente desviou sua atenção da comida, e reparou em um ser humano passando pela rua... O filé queimou e o caviar acabou de repente, e na cabeça da barata, só havia o ser humano. Não o ser humano que está agora deitado em sua cama box com seu travesseiro de pena de ganso, e sim aquele que caminhava encharcado pela chuva que acabara de cair... Que caminhava sem pressa pela escuridão, sem medo. A barata, que também não tinha medo, perguntou a si mesma se seria aquele ser humano, lá no fundo, semelhante a ela... Ele certamente não comia caviar com trufas, muito pelo contrário, provavelmente algo um pouco melhor que os pequenos insetos... Não vivia pelos velhos encanamentos, mas certamente seu pequeno AP era repleto destes.
A barata pensou em se comunicar com aquele ser, que apesar de tão grande, lhe parecia agora tão igual, mas não sabia falar... Hesitou então. Precisava pensar rápido, pois seu irmão agora caminhava mais apressado, voltava a chover. Decidiu então, numa louca atitude, correr atrás dele e se comunicar como fosse possível. Daí, como nunca em sua vida, disparou pelo asfalto. Não havia mais o carpete macio cobrindo o piso, que por sua vez a deixava segura no encanamento, mas havia a coragem, toda a coragem do mundo em uma barata (Isso me soôu meio irônico, eu detesto baratas). Naquela hora, não haviam exércitos capazes de pará-la, era uma maratona solitária, uma busca por um elo qual ela tinha total certeza de que se criaria. A barata e o homem, o homem e a barata... As patinhas quase se desprendiam do corpo, mas, se ela era capaz de sobreviver até a uma explosão atômica, não cederia por algo tão importante e tão próximo.
Há quarenta anos e três dias o homem chegava lá, chegava na Lua, e descobria que, para a decepção de todos não tinhamos um queijão suiço rodeando a Terra. Hoje, quarenta anos e três dias depois, a barata chegou lá usando de todo o seu esforço de pequeno artrópode, mas claro, não disse uma frase marcante como a de Neil Armstrong porque barata não fala. Não houve também trilha sonora (apesar de eu achar que Moby cairia muito bem com o momento). Contrariando todas as leis da natureza, a barata afinal descobriu seu elo com o homem, e três milésimos de segundo depois, descobriu que esse elo doia mais do que qualquer dor que já havia sentido. Mais do que qualquer Hiroshima devastada. MALDITO SAPATO 42!

domingo, 19 de julho de 2009

Aos meus queridos pais

Terça feira, dia 14 de julho, foi o aniversário de casamento dos meus pais... 25 anos, bodas de prata.
Escrevi uma pequena mensagem de agradecimento a eles, e quero, pelo tanto que significou para todos de minha família, compartilhar com quem por um acaso quiser ler. Sem muitas outras palavras. Um abraço a todos, e até a próxima.


Aos meus queridos pais


Ao começar a escrever tais palavras, pensei que, como filho mais novo, teria muito pouco a dizer, pois dos vinte e cinco anos que hoje se completam, estive presente por somente dezesseis. Não tenho lembranças de tudo que aconteceu neste meu pouco tempo com vocês, mas tenho em minhas memórias mais do que o suficiente para agradecer por ter sido fruto de pessoas tão maravilhosas.

Benedito Aurélio, meu pai, muitas vezes o vi em situações ruins, derivadas de seu trabalho ou de outros muros que se ergueram em seu caminho, ainda assim, você nunca se deixou entregar, por mais nessas horas fossem escassas as soluções, sempre as buscou com fé, e ao final sagrou-se vencedor, servindo assim de exemplo para mim, por sua honestidade e perseverança.

Esther Augusta, querida mãe, sua fineza e ponderação, dentre suas muitas outras qualidades, sempre me serviram de base para qualquer desafio. Aprendi bem com a senhora, que não se consegue nada sem paciência e calma no coração, e que mais importante que vencer, é saber manter-se firme e racional mesmo quando derrotado.

Meus pais, vocês juntos construíram esta ponte de amor sobre a qual hoje nossa família se mantem. Todas as suas lições de solidariedade, força e caráter foram essenciais para a minha formação como pessoa, assim como sei que também foram para minhas irmãs, as suas filhas Mônica e Renata.

Hoje, em suas bodas de prata, como forma de parabenizá-los e agradece-los, teço estas singelas palavras que neste pequeno discurso, retratam uma minúscula parcela de todo o amor e carinho que sinto por vocês, meus pais.


domingo, 5 de julho de 2009

Trova de saudade




Qualquer lua, sem estrelas
É só lua solitária
Alumia sob as telhas
O resôo da toada

De um triste trovador
Trovejando pra'espantar
O que só lhe traz a dor
E emudece o cantar.

É saudade que rasteja
Sorrateira pelo meu
Céu que já é só quieteza
Sem a benção de Orfeu.

A garganta tece seca
Versos que voam com o vento
Água alguma que se beba
Faz vencer o desalento.

Canta trovador, encanta!
As estrelas vão-se embora.
Canta trovador, que tanta
Lua assim sozinha, chora.


André Yonezawa
02/07/09

domingo, 21 de junho de 2009

Espelhos da alma

Requieto, mirava até então os distantes espelhos d'alma, tão belos... Mirava-os, e ainda que o fizesse fervorosamente, não via meu reflexo em canto nem beco algum daquele universo paralelo que se estendia por toda a profundidade dos mares, céus e sonhos. Sim, mirava-os como num sonho, como se fosse real, como se os tivesse para mim de forma qual nunca viessem a fugir ou sumir em sequer um raio que anunciasse o primeiro suspiro do Sol. Mirava um Sol, ou bem, dois sóis que brilhavam por duas mil outras estrelas.
Acalentava-os com os olhos, sem deixar por segundo algum ser mirado, para que não voassem flechas à minha direção. Se ferido fosse, meu sangue desataria a correr, pois fiz de meu peito também o meu calcanhar de Aquiles.
Amava-os como ama o poeta as suas mágoas, deveras com pesar algum, também como fazem as flores que brotam na noite, da sombra de uma sombra. Fascinado pelo que irradia, mais que uma canção sentimental que corre por entre os dedos, por notas vagas feito saudade do que não se tem, feito canto que se canta em vão, no vão da vida tão vã, tão vã.
Busco, ao menos por palavras que venham a roubar todo o narcisismo (que tenho não por mim, mas por ti) para entregar a quem, a quais, espelhos que maestrizam cegamente meu requieto.

sábado, 6 de junho de 2009

Bossa

Cantava baixinho uma bossa qualquer, daquelas que falam das paixões da vida do poeta. Fazia-o tão distraída, que até então não saberia nem dizer se estava mesmo lá. O alvoroço a nossa volta, o restaurante, o mundo soava tão vazio para mim, forma qual além da canção, não havia mais nada. Todas as conversas ao meu redor eram mudas.
Eu também estava mudo... E meu reluto por falar não se resumia só a quebrar a sintonia do silêncio das mesas a minha volta, tampouco em cessar o cantar da amiga, que volto a dizer, talvez nem estivesse mesmo lá. Peguei meu prato e fui até o bufê.
Servi-me ainda calado, mas com palavras lutando para escapar... Estranho o jeito dos homens, de hesitar tanto para falar de flores. É besteira isso, penso eu. Mas como homem, também insisto em hesitar.
De volta a mesa, pensei mais mil poréns para ficar quieto, porém, "porém" algum serviu para me contentar. Engoli o tomate em seco, e deixei que fugisse por minha garganta que quer que estivesse entalado;
-Doce, 'tô sentindo falta de alguém aqui... Mas é de alguém que nem conheço... - Doce saiu de seu mundo tão repentinamente, que por um segundo, pareceu-me até ter se assustado. Apesar disso, sua voz não faltou com a casual meiguice ao falar comigo...
-Mas como assim? Falta de quem?
-Ah... Você não repara muito nas pessoas que almoçam por aqui todos os dias, né?...
-Acho que não muito. Você repara? - Veio um "sim' logo de cara em minha cabeça, porém o que saiu entre os lábios foi um mentiroso "não".
-Deixa pra lá, isso é coisa da minha cabeça... Disse isso voltando minha atenção ao prato ainda pela metade, e Doce, quando menos percebi já estava outra vez longe dali, perdida em uma outra velha bossa nova. Lembro-me, quando nos conhecemos eu estava a tocar violão em uma festa. Ela se sentou ao meu lado, e de início, ainda meio acanhada, ficou quieta só ouvindo. Ao entrar da madrugada, começou a cantar junto, pedir músicas, e entre outras, logo nos amigamos. Desde aquele dia até hoje, não vi (nem ouvi) uma música sequer que ela não conhecesse.
No dia seguinte, a cena se repetiu; Entrei no restaurante, e antes de me sentar busquei atento um par de olhos claros. Novamente não os achei. Doce segurou meu braço e me puxou para uma mesa próxima a janela, como quase sempre fazia. Ficamos sentados em silêncio, hoje ela não cantava, mas conservava na face o timbre de sempre. Pude ver além da janela o Sol à pico, fazia calor lá fora, porém dentro, bem no fundo, quase nevava.
Doce, após um longo suspiro, falou;
-Você estava a procurando, não é? - Estranhei a pergunta, fugi do assunto;
-Procurando o que?
-Você sabe... Os olhos...
-Olhos? - insisti em tentar fugir...
-Sim, aqueles olhos que você sempre procura. Eu sei quem lhe fez falta ontem.
-É... Ahh, eu sou tão na cara assim?
-Na verdade, é. Nunca falou com ela?
-Não... Tento tirá-la de minha cabeça quase sempre. Não vou perder meu tempo cultivando uma roseira que não vai dar flor.
-Se você acha... Bom, nem só roseiras dão flores... - Doce se levantou, e parou ao meu lado, a partir de então, tudo o que aconteceu foi feito um sonho acordado. Curvou-se próxima a minha face, e beijou-me de um jeito qual tenho certeza que só ela faria. Fiquei sem reação, e antes que pudesse dizer qualquer coisa, Doce saiu andando. Cantava... ''O amor se deixa surpreender enquanto a noite vem...''
Passaram-se três semanas, e o cotidiano, sempre seguido a risca, fez-me entrar outra vez no restaurante. Busquei, ainda que em vão, olhos perdidos n'algum lugar. Sem vê-los, sentei-me em qualquer mesa de canto. Sozinho, sem bossa... E os olhos? Que me dizem por esperá-los?

sábado, 23 de maio de 2009

Soneto a quem passa

Alô alô leitores, venho eu novamente vos falar em um novo post do Zebra... Esta semana que se passou foi corrida, pois voltei de viagem no domingo, e passei dias cheios de coisa pra ajeitar. Mas hoje felizmente estou tranquilo e sem compromisso algum (graças às maquinas de xerox, que agilizaram meu trabalho de copiar matéria escolar atrasada). Então, sem mais demoras, o post de hoje, bem singelo; Um soneto que escrevi a umas semanas atrás, qual ao menos para mim, foi um marco (talvez mais por motivos pessoais do que por outros). Espero que gostem.


Soneto a quem passa

Passas tão perto de mim todo dia
E sequer nota minha existência
Não há no mundo maior penitência
Ainda assim, sem ti não sorriria.

E como algo mais que idolatria
Faz brotar em meu peito abstinência
Não há espada ou cruz que me convença
Que uma morte, por ti em vão seria.

E se da forma qual desejo ver-te
Qualquer dolência em mim se conssumasse
Trairia-me ao perder-me em sua face;

Pois das dores, seria a mais amena
Afogar-me por ti, então, pequena
Num poço claro, sonho azul e verde.


(P.S; Logo logo farei um post especial, haha, aguardem...)

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Delírios de um louco consciente

Estava conversando com a Patrícia a uns dois dias atrás, e papo vai papo vem, mostrei a ela uns textos meus já bem antigos. Nenhum deles tem muito a ver com os que escrevo hoje em dia, em questão de tema e tudo mais, são completamente opostos. Mas, but, o lance é que ela gostou, e sugeriu que eu postasse um desses textos, e como eu não sei dizer não para essa coisinha magricelinha, hoje, diretamente do fundo do baú da (in)felicidade; Delírios de um louco consciente! Espero que gostem. :D



Delírios de um louco consciente


Vozes diabólicas saem do meu armário,
Garras assustadoras se debatem inquietas em baixo de minha cama.
Vultos brancos silenciosamente passam pela minha janela,
E a fundo do escuro de meu quarto, sinto que algo me chama.

Perdido nas memórias de antigas noite intermináveis,
Sinto-me tão frágil como aquelas fracas e amedrontadas crianças.
Não há pensamento positivo que me ajude a enfrentar minha sombra,
Pois ao saber que o pior se aproxima, simplesmente perco as esperanças.

Gritos desesperados ecoam por toda extensão de minha mente,
Cicatrizes antigas inevitavelmente se abrem no meu peito,
Filetes de sangue repentinamente escorrem por meu corpo,
Dores insuportaveis atingem intensamente o meu ser imperfeito.

Sonhos e desejos se transformam em um frio pesadelo da vida real,
O prazer e a mentira colidem com a dura realidade em que agora estou.
Meus dias de criatura impura deixaram marcas que jamais serão esquecidas,
Foram tamanhos os meus erros, que hoje, sinto medo do que fui, e nojo do que sou.

Malditos demônios que matam minhas noites de sono,
Quem me dera tivesse força para exilá-los eternamente da minha vida.
Mas não a vela nem reza que seja capaz de faze-los sumir,
Então, conformado com a verdade, desisto de lutar nessa batalha perdida.



André Yonezawa
08/12/06

sábado, 25 de abril de 2009

Haver (uma trilha sem rumo...)

Haver

O texto qual posto hoje, foi trabalhado com um carinho especial, pois foi escrito a pedido de uma grande amiga minha. Ela queria algo que a ajudasse a encontrar o caminho certo a rumar na vida, e que também "matasse" um pouco dessa angustia que existe em relação ao amanhã. No final das contas, enquanto escrevia, acabei encontrando um pouco mais de paz dentro de mim mesmo, e foi com ajuda dessa paz que trabalhei durante o mês que passei "peneirando" meu pensamento sobre o que um dia virá a acontecer em nossas vidas. Tal escrito foi de grande bem e importância tanto para mim, quanto para essa minha amiga, então, no mais, espero que gostem.

Um grande abraço.





Haver


Letra por letra, traço no papel uma trilha sem rumo... Cada palavra passada bifurca meu mundo, parte em cacos canto a canto a minha arte, encobre, divide, apaga e reescreve.
Escrevo enquanto a trilha sem rumo só se estende.
Não há sentido que me guie pelo som hipnótico do lápis rabiscando o papel, sinfonia que precede ou prolonga o fim de cada estória.

Não sei resistir, tampouco re-existir a cada novo final. Quero mais, mas não sei como tê-lo... Fecho minha mente por escassez de palavras. Os devaneios que em mim se formam não se algemam a dicionários e gramáticas, vão além do alcance da língua... Beiram o céu e o inferno. Busco na veia, com cada gota de sangue, uma migalha de pão que retome o meu norte, e busco com tal intensidade, que perco toda a certeza sobre qualquer busca. Ai então, só fecho os olhos para sentir os riscos e rasgos do desfazer da grafite.

Escrevo enquanto a trilha sem rumo só se estende... Preencho com gracejos e lampejos da certeza do incerto que me aguarda. Além de cada folha se esconde talvez um novo tesouro, ou quem sabe qualquer segredo... Pedras e sementes, desertos, sóis, maçãs... Dores. Alma alguma se contenta apenas com um rodapé, que posso fazer então? Enquanto houver espaço, corpo, tempo, e algum modo de dizer não; Escrevo.

E meus olhos por vezes cedem ao cansaço, e pedem pelo repouso no remanso de um rio da vida, os pés na água me afogam por inteiro, correm lá minhas próprias idéias, como peixes ou borbulhas. A correnteza há de me levar, sequer reluto. Não há luta, apenas o tempo.

Escrevo enquanto a trilha sem rumo só se estende... Além de qualquer vale, corta a trilha. E ai daquele que com o olhar tentar ver o fim de sua estrada, pois tal é tão distante quanto o ouro ao cabo do arco-íris. O vento há de guiar os passos. Não tem pressa, apenas o tempo.

Brilham no céu as estrelas, e cá qual mão suave, borras de chá ou cartas abertas hão de dizer o que os astros sabem? E qual constelação há de ensinar o viver ao tempo? Para que olhar os ponteiros do relógio, esperando a meia-noite e imaginando o novo dia? Temos mais é de viver o agora. Quanto ao depois, deixá-lo-emos com o tempo... Por hora, apenas viro a página, e escrevo enquanto a trilha sem rumo só se estende.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Aquarela infinda

O amor, como bem disse o poeta, corta e fere o coração... Por vezes nós o temos, e sequer vemos. Ou cremos demais, sem ver que talvez um dia venha o fim.
A cada paixão, então, faz abrir uma janela em seu peito, pois o amor é pássaro belo, que como qualquer outro, repousa num parapeito como quem se aninha no seio de uma mãe.
Por mais que hoje seu poema se borre em lágrima, deixe estar. O pranto rega o ser, faz nascer (ou renascer) no amanhã o sorriso plantado no fundo da alma. Há de brotar uma flor de alegria, colorindo sua vida com uma aquarela que nunca mais descolorirá.
Existe aqui e agora, o poder de mudar as coisas... Tristeza tem fim, sim! E com palavras, sorrisos e calorosos abraços, espero poder (ou podermos...) fazer abrir não só um, mas todos os sóis desta vasta vida.
Cante uma bela canção, sinta o mundo ao seu redor, dance ao som de nada, seja tudo e crie sua própria terra forjada de sonhos. Não há amor maior que o seu, nem coisa mais bela que tal.
Amor e felicidade não tem fim, tristeza... Tristeza tem SIM!


"Esquece, vai sorrir."

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Estação dos olhos castanhos

O outono sempre reina por trás de minha janela. Folha por folha despe as árvores, criando um ciclo de amor entre a maciez da terra e a rigidez dos troncos.
Cada folha que cai tem um balanço próprio, uma dança tão sonolenta, que nos transporta para outra realidade ao observarmos seu trajeto de corte pelo ar. Os pedaços vegetais quedam no solo com leveza, como o toque de uma mãe em seu bebê... É a natureza prosperando, se fazendo eterna e sábia como nenhuma outra coisa no universo.

Ver este balé verde-amarelo que uma vez por ano faz sua turnê pelos parques e quintais de toda a cidade, faz lavar meu coração. Saber então que neste outono,também poderei ter além dos meus, um outro par de olhos castanhos para observar o espetáculo, faz com que eu me sinta mais feliz ainda. Voltarei a ter ao meu lado a menina que adoça da melhor forma possível todos os meus dias. Poderei enfim abraça-la, e matar toda essa saudade que se acumula já a quase quatro estações... Saudade que pede esperançosa momentos felizes para servirem de recordação até um próximo outono, ou quem sabe um mais breve verão.

Enquanto a mãe terra aguarda uma folha seca que caia em sua face, e a nutra com o carinho de sua criação, eu espero um sorriso sincero, que nutrirei com outro tão sincero quanto. Serão dias belos... Sei que serão. Até então, só espero. Que venha logo junto ao outono, a primavera de minha vida.



"Hoje choveu bonito e manso pela tarde... Fiquei talvez por horas olhando o céu cinzento pingar, justamente para mim, lágrimas de solidão."

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Amanhã vou para Lisboa (Recordar é viver)

A uns dois dias atrás, peguei com uma amiga dois cadernos meus, repletos de textos e poemas antigos (coisas que escrevi na sexta, sétima e oitava série). Já fazia mais de um ano que eu não os abria nem para folhear, então, resolvi tirar uma tarde para ler texto por texto, e recordar um pouco de minha "infância poética" (haohaoahoahaoa).
Sabem, quase todos os poemas que já escrevi, tem uma história por trás de cada verso... Coisas banais, das quais eu já nem me lembro muito bem. Independente disso, cada um deles se tornou único, por ter gravado em si um momento de minha vida. Ainda que antigamente minhas rimas fossem furadas (Do tipo "Ana tem cara de banana" aohaohaohaoahoa), que minha letra fosse horrível (eu tive um trabalhão pra decifrar meus garranchos :x) que fosse tudo tão simples, sem métrica e com muitos erros de português, acho que vale a pena guardar, e sempre reler toda essa minha "trajetória" pelas folhas de papel.

Mudando um pouco de rumo, encontrei no meio de um desses cadernos, uma idéia não concluída... Umpequeno texto o qual idealizei, mas deixei de lado por algum motivo maior. Ao ler um único trecho que deixei escrito, percebi que era hora de terminá-lo, então, eu o fiz. Posto aqui uma de minhas velhas idéias, moldadas por novos olhos.


Amanhã Vou Para Lisboa

Quero chorar minha vida toda, para a partir de então, viver somente dias felizes.
A morte dos avós, pais e irmãos, chorarei hoje. (A da bezerra e do amigo também.)
Todos os amores sofridos, vão correr em lágrimas. As feridas que o tempo me trará, se abrirão e cicatrizarão ainda hoje!
Todas as dores, minhas, dos outros, de Deus e do mundo, me encarregarei de derramar. Um, dois, mil prantos! Que seja! Chorarei tudo hoje!

Se tenho mais motivos para chorar...
Desconheço-os.

Se sabes de qualquer motivo que possa me fazer chorar...
Fale-me agora, para que eu possa chorar logo.

Amanhã cedo, fugirei de toda a tristeza. Pegarei um vôo para Lisboa.
Tomarei ao entardecer, um choop gelado, rindo e lembrando do dia em que chorei minha vida inteira. Farei isso como quem nunca mais irá chorar na vida.


Nao ficou lá essas coisas, mas, como todos os textos.... Tem sua história.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

O poço

A batida quebra o peito,
Infiltra na alma
E afoga o ser.

O ser afogado não nada,
Bóia no Nada
É tudo ou nada.

Quem nada não sabe seu rumo
Eu vivo, ou sumo?
Sou peixe? ou pedra?

Se pedra, bem sente que pesa
Afunda, tem pressa,
Pro fundo do poço.

Do poço, não se vê o céu,
Se escorre pra terra,
Se vaga ao léu.

Ao léu, se encontra o topo
De um lado ou de outro
Porém ambos loucos.

Batida no peito da alma do ser... Afoga no nada da pedra do poço...
Só somos iguais, dos pés ao pescoço.



"O Buraco do espelho está fechado... Agora tenho que ficar aqui."
Arnaldo Antunes

sábado, 31 de janeiro de 2009

Zebra Xadrez - A Origem

Tudo começou com uma idéia da Patrícia... Um dia desses, ela chegou para mim no msn, e disse "Dré, tenho uma amiga (a Kerina) que também escreve como você, ai andei pensando, porque nós três não fazemos blog?" Eu, que já escrevo em um outro blog particular, topei na hora. Então, uns dias depois, fizemos uma ahmm "conferência" para decidir como se chamaria nosso tão almejado blog. Foram horas e horas perdidas, discutindo todo o tipo de nome incomum... Queríamos um que ultrapassasse todas as expectativas, e nos remetesse a coisas que definitivamente não são vistas todo dia. Assim, passamos por esquilos, maçãs, caixinhas explosivas, e outras coisas mil. No final das contas, tudo isso acabou dando em zebra... Mas não foi qualquer zebra, foi uma Zebra Xadrez!
Do nome, logicamente surgiu nosso layout; As zebrinhas espantadas com sua colega de estampa diferente (cá para nós, deu um trabalho do peru!) eu fiz meio que de surpresa, e só mostrei pra Pat e pra Ká depoi de pronto. Felizmente ambas aprovaram. É claro que eu tive que fazer algumas ameaças para que isso acontecesse... HAHA Mentirinha, foi um sucesso mesmo!.
Por fim, com o nome e o layout prontos, definimos de uma vez por todas a nossa proposta; Retratar o cotidiano de forma diferente... Colocaremos aqui coisas estranhas, pensamentos, fatos engraçados, e tudo o que foge da mesmice.
Agora com a autorização das minhas coleguinhas, declaro este blog oficialmente aberto! (Palmas por favor).
Enfim, por hoje, meu trabalho está feito. Aos leitores, espero que tenham gostado deste primeiro post.
Até a próxima pessoal.


Zebra Xadrez, por um Happy Hour sem álcool!